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Visita ao Santuário do Sol Eterno

Visita ao Santuário do Sol Eterno

Com Rui Lomelino de Freitas e Fabrizio Boscaglia

No próximo sábado, dia 18, vamos visitar o local (em Sintra, Praia das Maçãs) onde foram descobertos vestígios do Santuário Romano pré-cristão, desenhado por Francisco de Holanda (Séc. XVI) dedicado ao Sol Eterno. Nesta visita, com Rui Lomelino de Freitas e Fabrizio Boscaglia, iremos conhecer as fontes míticas, filosóficas e literárias que nos falam do Sol Eterno como imagem do Eterno no macrocosmos, no cosmos e no microcosmos, nomeadamente na tradição pitagórica, hermética, platónica e cristã.

Inscrições: Envio de comprovativo de transferência ( Custo: 25€ ), nome e e-mail para: rui.lomelino.freitas@gmail.com

Neste local (Alto da Vigia, junto à Praia das Maçãs, em Sintra), foram também descobertos vestígios de um ribat [convento] islâmico. E sobre a função do Ribat e da espiritualidade islâmica irá falar-nos Fabrizio Boscaglia.

Rui Lomelino de Freitas e Fabrizio Boscaglia são investigadores e docentes na Universidade Lusófona (área de Ciência das Religiões).

O primeiro relato da descoberta de vestígios arqueológicos em Portugal é precisamente este, no Alto da Vigia, em 1505, quando foram encontradas lápides romanas durante a construção de uma torre de facho. Na época, este achado levou o rei D. Manuel I, que passava o Verão no Paço Real de Sintra, a deslocar-se à Praia das Maçãs,

As inscrições romanas eram dedicadas ao sol eterno e à lua e ao oceano e foram transcritas por Francisco d’Ollanda, discípulo de Miguel Ângelo, que desenhou o que lhe pareceu ser um templo romano, com um círculo formado por aras, .num livro que ofereceu ao rei D. Sebastião, intitulado «Da Fábrica que Falece à cCdade de Lisboa».

Entretanto, a exacta localização do templo perdeu-se e, apesar de fontes do século XVII orientarem o santuário com vista para a serra, só na década de 1970 se voltou a apontar para o Alto da Vigia. Após sondagens anteriores sem sucesso nas proximidades, os arqueólogos resolveram escavar à volta da torre do século XVI.

Redescoberto pelo arqueólogo Cardim Ribeiro, diretor do Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas) em 2008, hoje discute-se a função desta estrutura arquitectónica monumental circular.

Junto com o Santuário foram descobertos, também por Cardim Ribeiro, restos de um ribat [convento] islâmico” – o segundo ribat encontrado no país, idêntico ao descoberto anteriormente em Aljezur.

Custo: 25€

Inscrições: Após envio de comprovativo de transferência por e-mail: rui.lomelino.freitas@gmail.com

Transferência bancária para o nib: 0035 0824 0000 9247 7005 2

Obs: número limitado de lugares

– Trazer roupa confortável e água

Ai, solidão, solidão…

Parece que a solidão mata. Não se sabe bem como, mas os indícios existentes sugerem exactamente isso. Um estudo realizado em Inglaterra, com a chancela da Universidade de Cambridge, compara os dados de mais de uma centena de investigações que abordam a relação entre a mortalidade e a vida social do indivíduo. Daí se conclui que pessoas solitárias são 50% mais propensas a terem uma morte precoce do que outras. Uma outra investigação, que cruza dados de mais de três milhões de pessoas, sugere que o impacto da solidão na saúde é semelhante ao da obesidade.

O governo britânico tentou combater a situação, no início deste ano, transformando a subsecretária de Estado para o desporto e a sociedade civil numa espécie de “Ministra da Solidão”. Esta iniciativa vem na sequência das conclusões do trabalho levado a cabo pela Comissão Jo Cox, com a colaboração da Cruz Vermelha (nome da deputada assassinada há dois anos por um militante da extrema-direita) e que em vida se debruçou sobre os problemas da solidão. A investigação conduzida em seu nome redundou num relatório que defende que cerca de oito milhões de britânicos dizem estar regularmente ou “sempre” em solidão, e cerca de metade dos britânicos reconhece sentir-se ocasionalmente solitários.

Mas os contornos do problema são surpreendentes. Grande parte da estratégia de combate à solidão é direcionada aos mais velhos, todavia os estudos mostram que são as gerações mais novas, de idades compreendidas entre os 16 e os 24 anos, assim como a população economicamente mais desfavorecida, quem mais frequentemente confessa sentir-se só.

Sabemos que este é parte do preço a pagar pela pós-modernidade, que se caracteriza por um superindividualismo, mas também pela transformação das relações sólidas em líquidas, isto é, efémeras e com baixa resistência à frustração e contrariedades, como dizia o sociólogo polaco Zigmunt Bauman. Vivemos tempos líquidos, nada é feito para durar e as relações escorrem por entre os dedos como água.

Verifica-se uma imensa dificuldade na comunicação afectiva (daí a surpresa do nosso “efeito Marcelo”), apesar do desejo profundo de toda a gente se querer relacionar, mas sem o conseguir, devido ao medo e insegurança. Assim, as relações terminam tão velozmente como começam.

A solidão tornou-se assim a triste realidade da vida contemporânea. Segundo Bauman, o ser humano necessita de dois valores indispensáveis: segurança e liberdade. “Segurança sem liberdade é escravidão. Liberdade sem segurança é o caos completo.” Se eu quero mais segurança prescindo de um pouco da minha liberdade pessoal, e cada vez que quero mais liberdade entrego parte da minha segurança. Para ganhar parte de um perde-se parte do outro. A vida comunitária é a resposta para tal dificuldade. Daí a importância do associativismo, das igrejas, das instituições sociais, culturais, desportivas e recreativas, assim como das universidades.

Não há volta a dar. Fomos feitos para a comunhão e a partilha.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 27/7/18.

Veja mais https://ovelhaperdida.wordpress.com/2018/07/28/ai-solidao-solidao/

 

Soldados que Vieram de Longe – Os 42 Heróis Brasileiros Judeus da 2.ª Guerra Mundial

No próximo dia 26 de Julho teremos a oportunidade de contar com a presença em Lisboa do conceituado historiador militar brasileiro 
 
Prof. Israel Blajberg
(Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil / Rio de Janeiro)
O Prof. Blajberg irá fazer a apresentação das suas obras:
 

Soldados que Vieram de Longe – Os 42 Heróis Brasileiros Judeus da 2.ª Guerra Mundial 

e

Estrela de David no Cruzeiro do Sul – Memória da Presença Judaica nas Forças Armadas do Brasil – De Cabral ao Haiti

Tratam-se de obras de investigação que resgatam do esquecimento o papel fundamental dos judeus nas forças armadas brasileiras.
Esta apresentação terá lugar no dia 26, pelas 18:30, Auditório Armando Gebuza no Campus da Universidade Lusófona (Campo Grande, n.º 376).
 

O lugar da espiritualidade

O mundo viveu com intensidade o drama das crianças tailandesas presas numa gruta na montanha durante semanas. Mesmo em Portugal, deste outro lado do globo, as notícias fornecidas pelos meios de comunicação tiveram quase tanto impacto como se o problema estivesse a acontecer numa qualquer zona montanhosa do nosso país, graças às tecnologias de informação e comunicação e ao fenómeno da globalização.

A imprensa e as televisões internacionais enviaram repórteres para o local, de modo a acompanhar o desenrolar dos acontecimentos, que se previam redundar em catástrofe. A situação tinha tudo para correr mal.

A certa altura ficou a saber-se que o treinador que acompanhava a equipa de futebol dos “Javalis” tinha sido monge budista e que terá sido mestre em liderar aquele grupo de doze crianças em situação tão crítica, levando-os à prática da meditação, conseguindo baixar assim os picos de ansiedade próprios daquele contexto.

Aliás, a televisão portuguesa procurou especialistas que pudessem ajudar o público a compreender a importância daquela prática. Nessa linha, docentes e investigadores da Universidade Lusófona (área de Ciência das Religiões, da Linha de Investigação em Cosmovisões da Ásia) tiveram importantes presenças na SIC e na SIC-Notícias, ajudando a compreender como o budismo e a meditação podem ter tido um papel importante no desenrolar feliz deste acidente.

Como se sabe as operações de socorro contaram com inúmeros contributos e recursos técnicos e humanos de muitos países. No final, o responsável tailandês pelas operações veio fazer um balanço e centrou o seu discurso no que denominou “o poder do amor”, um factor de certo modo surpreendente – senão chocante – para a Europa secularizada. No fundo, a sua tese é que o grupo foi salvo pelo amor que terá sido despoletado na comunidade humana global.

Se nos lembrarmos que o tema do sermão proferido na cerimónia anglicana de casamento do príncipe Harry foi justamente o mesmo (tendo provocado visível desconforto nos mais idosos da família real britânica, tanto pela forma como pelo conteúdo) se calhar era bom pensarmos que a religião e a espiritualidade afinal servem para alguma coisa, e que o ser humano está destinado a confrontar-se com a questão da Transcendência.

Nesta altura convém perguntar por que motivo o poder do amor provoca tanto desconforto e até medo nos poderes deste mundo.

Entretanto, quando o mundo trabalhava para devolver vivas aos pais doze crianças tailandesas e o seu jovem treinador, nos Estados Unidos Trump procurava manter cinquenta delas presas, afastadas dos pais, a maior parte com menos de cinco anos de idade, mesmo contra uma decisão judicial…

 

 Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 20/7/18.

«Todos diferentes, todos cidadãos»

Nos passados dias 11 e 12 de Julho, teve lugar a formação «Todos diferentes, todos cidadãos», integrada no projecto Religiões, Educação e Cidadania (REC-XXI), pela Área de Ciência das Religiões da Universidade Lusófona; e foi direccionada para professores, técnicos autárquicos e colaboradores de instituições de solidariedade social; assim como de organismos que trabalhem a diversidade cultural e religiosa.

AS MIL E UMA NOITES EM PORTUGAL | Exposição na Biblioteca Nacional de Portugal | 28 JUN às 18h00

AS MIL E UMA NOITES EM PORTUGAL

Exposição na Biblioteca Nacional de Portugal
Comissários: Fabrizio Boscaglia, Hugo Maia, Renata Fontanillas

Inauguração: Quinta-feira, 28 jun. às 18h

Biblioteca Nacional de Portugal,
(área Museu do Livro, 3º piso)
Entrada livre

 

A exposição pretende redescobrir e valorizar a presença, em Portugal, do conjunto de contos fantásticos, quase todos de origem árabe medieval, conhecido pelo título de As mil e uma noites. Esta exposição reúne, tanto traduções lusas d’As mil e uma noites, como algumas imagens do património cultural – literário, cinematográfico, teatral e outras expressões artísticas – inspirado por esta obra, em Portugal.

Apoios e parcerias: Área de Ciência das Religiões da Universidade Lusófona, Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, Minerarte