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Crónica de Alexandre Honrado: Do abandonar ao acolher: Faz sentido ser humanos nos dias de hoje?

Crónica de Alexandre Honrado: Do abandonar ao acolher:
Faz sentido ser humano nos dias de hoje?

Vivemos o tempo de ambiguidade, a começar pela forma como nos
comunicamos e como erguemos muros à comunicação, escondendo-nos em
grutas do incomunicável: a possibilidade de não sermos escutados, de sermos,
produzirmos e partilharmos registos sem efeito, é imanente a cada momento
que, de forma degrada, vivemos como ato de proximidade.
Isolados somos, mas não somos no outro. Isso tira-nos a confiança, a
forma de sobreviver, o conceito completo do que é o humano: um exemplo de
partilhas, de aceitações, de diferenças.
Vivemos, provavelmente, uma nova etapa construída a partir da cultura
líquida: uma nova cultura sólida, difícil de moldar como um último veio de
minério de ferro na rocha dura, que nos corre por dentro como um desejo de
sangue.
A cultura da morte – do abandono em desespero do filho recém-nascido
ao jogo milionário que se oferece à criança no natal para que na sua consola
eletrónica desvalorize o que tem de mais elevado, a vida – é a essência de uma
desconstrução do humano.

Perdemos a memória e substituímo-la por um sinistro esquecimento.
Não conhecemos o passado e ao perdê-lo perdemos os nossos
antepassados. Ignoramos os momentos em que o mundo foi genocídio, o que
é o mesmo que dizer, um parricídio que nos tornou a todos órfãos e carentes
de um afeto capaz de alguma equidade. A riqueza – demanda pelo ouro, pelo
petróleo, pela água, pelo desnível da balança social – impõe regras. Mas a
pobreza – aceitação do que nos falta e da nossa ignorância mais tolhedora –
não tem força para se opor, coibindo-se à existência. Lancemos o debate: do
abandonar ao acolher, faz sentido ser humano nos dias de hoje? Mas que o
debate se sobreponha.
Fartos de atos, queremos palavras. Palavras encantatórias e operatórias,
que definam e estabeleçam a mudança urgente e necessária.

 

Crónica de Alexandre Honrado – Do abandonar ao acolher: Faz sentido ser humano nos dias de hoje?

Opinião: A morte não se pensa , por José Brissos-Lino

A morte não se pensa

Bruno Guerreiro

Em recente investigação desenvolvida por cientistas israelitas descobriu-se que o cérebro humano evita pensar na morte devido a um mecanismo de defesa que se desconhecia

Todos os seres humanos adultos e plenamente conscientes sabem que a morte é inevitável – é apenas uma questão de tempo e oportunidade – e têm memória dos antepassados que já partiram, assim como a notícia dos seus conhecidos que todos os dias morrem de velhice ou doença, e dos que se finam em acidentes de viação ou na guerra. Mas poucos são aqueles que não desenvolvem estratégias emocionais para evitar pensar nela. Talvez porque, como dizia Publilius Syrus no séc. I a.C., “o medo da morte é mais cruel do que a própria morte” (“Sentenças”). Pascal dizia mesmo que “é mais fácil suportar a morte sem pensar nela, do que suportar o pensamento da morte sem morrer” (“Pensamentos, 1670), razão pela qual a pena de morte é uma dupla pena, desumana, indigna e injusta.

O estudo, citado pelo The Guardian, e que foi realizado por investigadores da Universidade de Bar Ilan, em Israel, concluiu que o cérebro humano tem um mecanismo de defesa com a função de nos proteger do medo existencial da morte. Parece que esse mecanismo procura aliviar-nos deste tipo de pensamento, levando à sensação de que a morte é uma circunstância funesta mais associada a outras pessoas, como explicou o responsável pelo estudo, Yair Dor-Ziderman: “O nosso cérebro não aceita que pensemos na morte associada a nós. Temos esse mecanismo primordial que significa que, quando o cérebro obtém informações associadas à morte, algo nos diz que não devemos acreditar”.

A investigação foi realizada com um grupo de voluntários que autorizaram a monitorização da sua actividade cerebral face à audição de palavras relacionadas com a morte, como funeral ou enterro. Entende-se assim que a função do cérebro que nos protege de pensar sobre a nossa própria morte pretende permitir-nos viver livremente o presente.

Embora saibamos racionalmente que vamos morrer um dia, tendemos a projectar essa probabilidade nos outros, de modo indistinto, talvez porque a sociedade seja hoje mais fóbica em relação à morte e, como consequência, talvez as pessoas também saibam menos sobre o fim da vida e receiem mais esse episódio.

Quando começamos a pensar muito no futuro corremos o risco de perceber que a morte toca a todos, incluindo também a nós, e que, independentemente da nossa idade, podemos morrer a qualquer momento, mesmo de forma inesperada, sem capacidade de fazer qualquer coisa para o impedir. No entanto é da natureza do nosso organismo biológico lutar sempre pela sobrevivência.

Em comentário às conclusões deste estudo, pedido pelo jornal britânico, o psicólogo Arnaud Wisman, da Universidade de Kent, afirmou que os indivíduos levantam inúmeras defesas para evitar ou afastar os pensamentos ligados à probabilidade da sua morte. Trata-se duma cultura comportamental das sociedades modernas, uma espécie de fuga, que os leva a ocupações e distracções com compras e redes sociais, entre muitas outras, de modo a não pensarem nem se preocuparem com a morte.

Talvez a dificuldade em pensar na morte esteja associada à mesma razão porque se diz que a natureza tem horror ao vazio. Escrevendo sobre a iminência da sua morte, Thomas Hobbes dizia que estava para realizar a sua última viagem, “um grande salto no escuro” (“Cartas”, 1679). Um século depois Kant explicava que ninguém pode experimentar a morte em si mesmo, “pois experimentar é da alçada da Vida”, pelo que só é possível perceber a morte nos outros (“Antropologia de um ponto de vista pragmático”, 1798).

A esse supremo desconhecimento pode associar-se um outro grande incómodo humano que é a solidão, como descreveu Miguel de Unamuno: “Os homens vivem juntos, porém, cada um morre sozinho e a morte é a suprema solidão” (“Do sentimento trágico da vida”, 1913).

Mas talvez a maior dificuldade para racionalizar a morte seja a perspectiva da aniquilação do ser. Assim como não conseguimos racionalizar o período antes da concepção, antes da nossa chamada à existência, também não conseguimos fazê-lo com a fase pós-morte, até pela agravante de agora termos consciência e capacidade de raciocínio para pensar o futuro. A partilha de testemunhos das chamadas experiências de quase-morte (o famoso túnel de luz ou a pessoa a pairar sobre o próprio corpo) ajudam a densar o mistério do que está para lá do último suspiro.

As religiões procuram responder a esta angústia com propostas como o paraíso, a reencarnação, a ressurreição e a vida eterna. Mas ninguém foi tão longe como Jesus quando declarou a Marta em Betânia: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá” (João 11:25,26). Mas desconfio que o Mark Twain estava coberto de razão quando disse que “o homem não morre quando deixa de viver, mas sim quando deixa de amar.

http://visao.sapo.pt/opiniao/2019-11-13-A-morte-nao-se-pensa?fbclid=IwAR3DTMWqXUMasEKOngD_sDup9I2WiOGUgjxThxDndkESabhnz372jhOIIic

Conferência “Sínodo da Amazónia”: Vídeo completo da Conferência e Foto Reportagem

No passado dia 29 de Outubro a área de Ciência das Religiões acolheu a Conferência “Perspectivas Sinodais do diálogo  com os povos amazónicos” com a moderação do Professor Luís Larcher  e o orador Padre Júlio Caldeira.

Veja aqui a Conferência: https://youtu.be/al_lxS4f4ug

 

Foto Reportagem:

Fotografia e Vídeo de Alexandre Honrado.

OPINIÃO: “Cristianocídio” por José Brissos-Lino

“Cristianocídio”

krisanapong detraphiphat

Quando falamos de liberdade religiosa no mundo temos que falar, antes de mais, em perseguição, e sobretudo sublinhar que os cristãos são os mais perseguidos de todos. Sem qualquer dúvida

Está em curso um cristianocídio. Do milhão e meio de cristãos existentes no Iraque antes de 2003 restam cerca de 150 mil ou menos. A população cristã da Síria foi drasticamente reduzida para dois terços, desde o início da guerra em 2011. A fé cristã no Médio Oriente está posta em causa, não só devido ao genocídio em si mas por causa dos fluxos migratórios contínuos, as crises de segurança e a pobreza extrema. Os cristãos coptas são regularmente assassinados no Egipto, apesar de constituírem cerca de dez por cento da população. Receia-se que algumas comunidades cristãs na região já não consigam recuperar a tempo.

Mas a perseguição religiosa não se confina ao cristianismo. Segundo as conclusões do Relatório “Liberdade Religiosa no Mundo 2018”, publicado pela Fundação “Ajuda à Igreja que Sofre”, a situação de fragilidade de grupos religiosos minoritários piorou em 18 dos 38 países onde há notícia de violações significativas da liberdade religiosa, com especial destaque para Coreia do Norte, Arábia Saudita, Iémen e Eritreia.

Pela primeira vez dois outros países foram incluídos na categoria “Discriminação”: Rússia e Quirguistão. Comparando a situação com 2016 registaram-se mais quatro países com sinais de degradação das condições para as minorias religiosas, pelo que se verifica um aumento geral de violações destes direitos humanos, por parte de regimes autoritários e actores estatais. Apesar de tudo a Tanzânia e o Quénia saíram da classificação como países onde havia perseguição, devido ao declínio da violência militante da Al Shabaad, mas agravou-se noutras latitudes também devido a nacionalismo agressivo.

A ideia de que o mundo está a progredir no bom sentido, em direcção ao respeito pela diversidade religiosa, é falsa. O sucesso militar no desmantelamento do Daesh e outros grupos extremistas ilude a opinião pública ocidental quanto à presente propagação de movimentos islamitas militantes em diversas regiões de África, Médio Oriente e Ásia.

Mas os conflitos entre xiitas e sunitas continuam, assim como os abusos sexuais contra mulheres, a integração de crianças-soldado em grupos guerrilheiros, e os ataques terroristas na Europa e no mundo, contra fiéis de diversas religiões, daí resultando um sentimento de islamofobia, devido à crise migratória mas sobretudo por acção do populismo de extrema-direita. Por exemplo, em Abril de 2017 um agricultor muçulmano na Índia foi assassinado por radicais hindus. Mais de meio milhão de homens, mulheres e crianças rohingya tiveram que fugir do norte de Mianmar para o Bangladesh, devido à violência, violação de mulheres de discriminação em massa.

Estima-se que mais de 300 milhões de cristãos sejam alvo de perseguição em todo o mundo, em especial na chamada “Janela 10/40”, localizada entre 10 e 40 graus a norte do equador. Trata-se de uma área do mundo, com grande pobreza, baixa qualidade de vida e falta de acesso a recursos cristãos. A janela 10/40 compreende uma região que abrange o Saara e Norte de África, bem como muitos países da Ásia Ocidental, Ásia Central, Sul da Ásia, Leste da Ásia e grande parte do sudeste asiático, onde vivem cerca de dois terços da população mundial, predominantemente muçulmana, hindu, budista, animista, judia ou ateia. Grande parte destes governos são contrários a qualquer presença cristã.

A “Voz da Europa” relata que as hipóteses de um cristão num país de maioria islâmica ser assassinado por um muçulmano — simplesmente por ser cristão – são aproximadamente uma em 70.000. O que significa que um cristão que viva num país de maioria islâmica tem 143 vezes mais possibilidades de ser morto por um muçulmano, simplesmente devido à sua fé, do que um muçulmano ser morto por um não-muçulmano em qualquer país ocidental.

E em Portugal? Por cá não existem questões sérias de liberdade religiosa e todos os observadores consideram não existir perseguição religiosa, não só devido às características da nossa constituição, mas sobretudo devido ao facto de vivermos num estado de direito democrático, estarmos enquadrados por uma lei de liberdade religiosa e por termos uma Comissão de Liberdade Religiosa (CLR), órgão independente de consulta da Assembleia da República e do Governo, presidida por Vera Jardim, criada para acompanhar a aplicação da referida lei.

Em matéria de liberdade religiosa, e apesar de todas as imperfeições, Portugal ainda é um oásis neste nosso conturbado mundo.

 

http://visao.sapo.pt/opiniao/2019-11-06-Cristianocidio

A vibração dos hindus em Fátima, numa tese universitária de Joaquim Franco

A vibração dos hindus em Fátima, numa tese universitária de Joaquim Franco

| 29 Out 19 | Crenças e rituais, Diálogo ecuménico e inter-religioso, Espiritualidades, Igreja Católica, Outras Religiões – homepage, Últimas

Ramnical Dave, shastri (sacerdote) hindu do templo de Radha Krishna, em Telheiras (Lisboa), em 2004, na Capelinha das Aparições em Fátima. Imagem reproduzida da reportagem da SIC exibida na altura.

 

“Sempre que aqui venho, sinto uma vibração especial”, dizia em 2004 Ramnical Dave, o shastri (sacerdote) hindu do templo de Radha Krishna, em Telheiras (Lisboa), ao jornalista Joaquim Franco, referindo-se a Fátima. Esse foi um dos pontos de partida para o trabalho de mestrado sobre Devotos Improváveis – Hindus e muçulmanos numa visão de Fátima, defendido nesta segunda-feira, 28, na Universidade Lusófona, em Lisboa.

O percurso da investigação levou o jornalista da SIC, colaborador ocasional do 7MARGENS, a explorar a relação devocional de alguns hindus portugueses com a imagem de Nossa Senhora de Fátima, recorrendo a trabalho de campo com testemunhos e pesquisas nos arquivos do santuário.

Não há uma interpretação única sobre a forma como estes devotos hindus vêem Fátima, conclui a investigação, podendo esta ser a presença de um elemento sagrado diante do qual fazem orações auspiciosas, uma força protectora a quem pedem auxílio, a “santíssima mãe” acima de todas as outras divindades femininas, ou uma presença de shakti – energia e poder que os hindus relacionam com a dimensão feminina. Para estes hindus, a fé e a forma como a devoção se concretiza é sobretudo pessoal – assim também sucede no caso de Fátima, sem qualquer compromisso da comunidade enquanto tal.

Para esses hindus, há ainda pormenores reveladores dessa “vibração”: a 30 de Julho de 1982, Morari Bapu, um guru indiano hindu de visita a Portugal, esteve em Fátima com outros hindus de Lisboa, deixando no livro de honra do santuário uma referência ao carácter “especial” do lugar, também na perspectiva hindu. Na mesma página, ficou inscrita a saudação de alguém com o apelido Vasco da Gama e também a assinatura de Madre Teresa de Calcutá. Na página anterior, está a de João Paulo II…

“Os hindus sentem ali uma presença indiscutível do sagrado”, concluiu o jornalista na sua investigação académica. Entendem que, tal como Brahman – Deus –, a “santíssima mãe” está acima de todas as representações, é “o poder de Deus”, a “energia que faz a nossa alma funcionar”.

Como muitos hindus se preocupam mais com a experiência vivenciada e a linguagem do sensível do que com a dimensão teológica, notou o jornalista e investigador, acabam por inculturar também “valores religiosos do país de acolhimento, como este símbolo mariano, dando-lhes um novo sentido” que não passa necessariamente pela conversão, mas atua também como mecanismo de integração e legitimação religiosa.

Defesa da tese de mestrado de Joaquim Franco na Universidade Lusófona, em 28 de Outubro de 2019, sobre a relação dos hindus com Fátima. Foto © António Marujo

 

Joaquim Franco verificou assim, como hipóteses de interpretação desta devoção hindu, que “o simbólico sagrado feminino hindu pode convergir com sistemas simbólicos da devoção mariana em Fátima” e o modo como a “multiculturalidade em liberdade religiosa potencia também adopções simbólicas e implicações sincréticas na experiência religiosa concreta, emotiva e sensível”.

O investigador entende que há novas possibilidades de diálogo entre religiões a partir da “transversalidade da experiência religiosa” proporcionada em Fátima, como devoção agregada à dimensão maternal, salvaguardando a identidade católica do espaço, e recorda os novos estatutos do santuário, aprovados pela Santa Sé, nos quais se pede o “acolhimento conveniente” de não-cristãos, evitando “ambiguidades”.

O júri foi presidido por José Brissos-Lino, director do mestrado em Ciência das Religiões da Lusófona. Os arguentes foram Eugénia Magalhães, presidente do Instituto de Estudos Avançados em Catolicismo e Globalização, Adelino Ascenso, padre e presidente dos Institutos Missionários Ad Gentes, José Eduardo Franco, co-orientador da dissertação, e Marco Daniel Duarte, director do Centro de Estudos do Santuário de Fátima, que destacou a importância, para a investigação, da abertura dos arquivos do santuário aos investigadores.

A vibração dos hindus em Fátima, numa tese universitária de Joaquim Franco

Opinão: Voltámos ao tempo da outra senhora? por José Brissos-Lino

Voltámos ao tempo da outra senhora?

Angela Rohde / EyeEm/ Getty Images

Lê-se e não se acredita. Uma educadora de infância numa escola pública da Madeira viu a directora prejudicar-lhe a avaliação anual por se ter recusado a ir receber um bispo à igreja. Será que o tempo voltou para trás?

Parece que o padre da paróquia sugeriu à escola Escola EB1/PE de Ponta Delgada e Boaventura que os alunos fossem receber o bispo à igreja. A directora, Ana Cristina Abreu, aceitou de imediato e terá pressionado os professores a participar nessa iniciativa sem pensar por um momento que se tratava duma acção inconstitucional, porque o estado é laico, a dita escola é pública e dado o teor da lei em vigor (n.º 16/2001) chamada Lei da Liberdade Religiosa.

A professora Isabel Teixeira, que desconheço quem seja e que está na profissão há 30 anos, terá sido a única pessoa que não se moveu à margem do quadro legal e constitucional, mas acabou penalizada na sua carreira, de forma abusiva e ilegal. Alegou que entende não se dever misturar escola com religião, e que o referido evento não constava do plano anual de actividades, por isso se recusou a levar as crianças à missa em Dezembro de 2018. A directora terá começado por propor a realização de uma missa na escola, o que foi rejeitado pelos professores, mas insistiu em levar as crianças à missa na igreja…

Eduardo Vera Jardim, presidente da Comissão de Liberdade Religiosa, já veio dizer: “Esse parâmetro não deve contar para a avaliação – é inconstitucional que conte. A Constituição é clara, ninguém pode ser prejudicado ou beneficiado por causa da religião, por uma opção religiosa ou por se opor a uma coisa dessas”, mas acrescenta que “há hábitos que levam tempo a perder, mas, para que as coisas mudem, este tipo de situação tem de ter consequências”.

Em 1960 tinha eu seis anos de idade e estava na então chamada 1ª. classe numa escola em Lisboa. Quando as crianças regressaram às salas de aula, vindos da pausa do recreio, depararam-se com um bispo à entrada da porta, obeso e de dedos grossos, no cimo das escadas. As professoras orientavam então os alunos para beijarem o anel ao bispo antes de entrar. Eu não estava habituado a essas coisas e fiz por me esgueirar pelo lado oposto ao que ele estava para não o fazer. E não o fiz.

Já com a idade de 10 anos, no (antigo) ciclo preparatório, aconteceu uma situação ainda pior. A lei impunha a todos os alunos a obrigatoriedade da frequência das aulas de Religião e Moral (católica). Porém, os encarregados de educação poderiam apresentar um requerimento a pedir a dispensa dessa disciplina para os seus filhos. Porque a minha família era cristã mas não católica, o meu pai assim fez, mas a burocracia tem os seus tempos e o deferimento não veio antes do início das aulas.

Um certo dia, estava eu a meio duma aula dessa disciplina quando entra na sala um funcionário com um papel que entregou ao professor. Ele leu e de repente levantou os olhos do documento para a sala e perguntou, com cara de poucos amigos e um tom de voz ríspido: “Quem é o José M. Brissos Lino?” Timidamente levantei a mão, nervoso, a pensar o que teria feito de mal, com a turma toda a olhar para mim, em suspenso. A resposta veio em tom de censura: “Mas tu não podes estar aqui!…” Acto contínuo saí da sala como se tivesse sido expulso por mau comportamento. Senti-me humilhado, discriminado e escorraçado.

Como é óbvio, esse tipo de situações configuram uma coação intolerável, mas eram fruto da época. Para o regime do Estado Novo quem não fosse católico não era bom português.

Porque vivemos em democracia, hoje os alunos podem escolher que disciplina de formação religiosa querem e este tipo de disciplinas são de frequência opcional. Também não creio que o actual modelo seja o melhor mas é o que temos para já, e pelo menos respeita pais e alunos, estando em consonância com as leis e a constituição da república.

Ao contrário de alguns não defendo que as expressões religiosas tenham que desaparecer do espaço público, uma vez que o estado é laico mas a sociedade não é nem tem que o ser. O estado é laico justamente para assegurar liberdade religiosa a todos os cidadãos, uma vez que não toma partido. Por isso estes tiques sectários por parte dos pequenos poderes são intoleráveis e deviam ser alvo de penalização. Aquela professora está certa e a directora errada.

De resto, já existe jurisprudência a partir dum acórdão do Tribunal Constitucional, justamente a propósito dum outro caso ocorrido na Madeira, segundo o qual: “Num país com liberdade religiosa como Portugal, ninguém deve ser obrigado a ter uma religião nem a ter um ensino religioso, assim como também ninguém deve ser obrigado a partilhar a forma como encara a religião ou que religião professa”. O que está em causa é a Lei de Liberdade Religiosa (artigo 4º), que prescreve não poder o ensino público ser confessional, nem o Estado programar a educação segundo quaisquer

directrizes religiosas. A escola pública é de todos e não pode ser um instrumento de proselitismo religioso, desde logo à luz da constituição, e os pais não podem ser constrangidos em matéria religiosa, como acontece quando são questionados pela escola sobre a permissão para os filhos irem receber um líder religioso à porta dum templo.

Jesus Cristo nunca impôs a fé a ninguém e sabia separar claramente a política e a sociedade da religião, que é como quem diz, César de Deus. Mas a tendência de muitos cristãos, ao longo da história tem sido exactamente o contrário. É pena.

http://visao.sapo.pt/opiniao/2019-10-30-Voltamos-ao-tempo-da-outra-senhora-

Opinião: A estranha teoria da educação de Edir Macedo por José Brissos-Lino

A estranha teoria da educação de Edir Macedo

Edir Macedo à esquerda do presidente Bolsonaro

EVARISTO SA

É estranho como um país que gerou educadores notáveis como Paulo Freire (1921-1997) esteja hoje refém de indivíduos com mentalidade obscurantista como Edir Macedo

O “evangelho segundo Macedo” é contra a educação da pessoa humana, em flagrante contradição com a essência do verdadeiro evangelho de Jesus Cristo, que é o princípio da libertação do ser em todas suas dimensões, incluindo a libertação das trevas da ignorância, tal como Lucas escreve no livro de Actos dos Apóstolos: “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam” (17:30). E S. Paulo alertava igualmente a comunidade cristã de Éfeso contra os perigos da ignorância: “Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração” (Efésios 4:18).

A teoria da educação de Macedo é paternalista, controladora e opõe-se à autonomia da pessoa. Segundo Herbert Spencer: “A educação deve formar seres aptos para se governarem a si mesmos e não para serem governados pelos outros” (A Educação Intelectual, Moral e Física, 1861). Parece mentira, mas isto foi dito pelo líder religioso neopentecostal: “Minhas filhas vão estudar só até o ensino médio, nada de faculdade, porque se elas forem mais inteligentes que o homem, o casamento está fadado ao fracasso.

Esta postura começa por evidenciar abuso de poder (“Minhas filhas vão estudar só até o ensino médio.”) O pai é que determina até onde as filhas estudam ou não, em vez de lhes dar liberdade para, querendo, prosseguirem os estudos e aperfeiçoarem a sua formação. De acordo com o “evangelho segundo Macedo” as mulheres não podem continuar os seus estudos a partir do secundário, de modo a prepararem-se para a vida profissional. Porquê? Por que o pai não quer! E porque ele não quer pressiona os pais do seu rebanho para que façam o mesmo na sua casa.

Depois revela um preconceito inqualificável contra o ensino superior (“Nada de faculdade.”) Ao vedar o ensino superior às suas filhas Macedo revela insegurança (por receio de que elas tenham melhor preparação intelectual do que ele), mas também preconceito, por receio de que, ao aprenderem a exercer pensamento crítico possam questionar os métodos do pai ou a trapalhada teológica do seu círculo religioso.

Também é notória a confusão conceptual que vai na cabeça de Macedo, entre conhecimento e inteligência (“Porque se elas forem mais inteligentes que o homem.”), como se conhecimento fosse a mesma coisa do que inteligência, como se acumular conhecimentos tornasse a pessoa mais inteligente, o que, desde logo, revela pouca inteligência. Revela igualmente uma atitude machista (“Quero que casem com macho”), ou seja, o receio de que as mulheres sejam mais inteligentes do que os maridos, e que passem a mandar na relação. Será que a IURD vai passar a pedir um teste de QI aos noivos antes de celebrar casamentos, para comprovar que os delas são mais baixos do que os deles?

Macedo parece ligar o sucesso do casamento a uma sujeição ao sistema patriarcal. No seu entender, o sucesso da relação conjugal passa obrigatoriamente pela condição de os maridos serem sempre mais inteligentes do que as suas mulheres… Quando condena ao fracasso toda a relação na qual a mulher é eventualmente mais inteligente do que o marido, está não apenas a menorizar as mulheres, mas a impor-lhes uma sujeição arcaica em flagrante atropelo aos direitos da pessoa humana…

Finalmente, mas não menos grave, Macedo defende que quem obtiver uma licenciatura irá “servir a si mesmo” em vez de servir a Deus… Portanto, para a personagem, só os ignorantes, os iletrados e os menos preparados para a vida poderão servir a Deus. Que teologia é esta, feita à martelada, que contraria não só o bom senso mas toda a base bíblica e a tradição cristã, sendo em si mesma um atentado à inteligência?

Que se saiba, Saulo de Tarso – a grande figura do Novo Testamento a seguir ao próprio Jesus Cristo – era dos homens mais cultos do seu tempo, mas também altamente preparado no judaísmo da época, tendo aprendido aos pés de Gamaliel, o rabi mais famoso em Israel, falava várias línguas, conhecia profundamente a cultura helénica e ainda era cidadão romano. Nada disto o impediu de servir a Deus com todo o fervor.

O discurso obscurantista deste líder religioso revela bem a influência perniciosa que as lideranças neopentecostais estão a exercer sobre as populações, mas revela ainda mais sobre a falta de espírito crítico destas, que não sabem fazer como os bereanos, que “de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Actos 17:11b).

A linguagem nunca é neutra” dizia o professor, pedagogo e filósofo Paulo Freire, que perante tal discurso deve estar a dar voltas na tumba…

Opinião: Um poeta na Capela Sistina, por José Brissos-Lino

Um poeta na Capela Sistina

Marcos Borga (MB)

O papa Francisco acaba de colocar o colégio cardinalício em risco, ao incluir nele um poeta. Devia saber que os poetas são gente perigosa em qualquer parte, mesmo entre cardeais… O tempo o dirá

José Tolentino de Mendonça, o filho do pescador do Machico, chegou longe na estrutura romana. Ele é um homem europeu mas periférico, ilhéu do Atlântico com passagem pelas Áfricas mas poeta do mundo, filho de gente pobre mas intelectualmente rico, pensador e filósofo, sem deixar de ser um homem do povo, amigo dos livros – sendo arquivista e bibliotecário da Santa Sé – é ele mesmo um livro onde Deus escreve palavras arrebatadoras, humilde como poucos mas espiritualmente notável.

Tolentino faz a ponte entre a Fé e a Cultura, entre a vida quotidiana e a espiritualidade, entre a razão e a emoção, sempre em busca do homem completo iluminado por Deus. E fá-lo com uma humildade tocante que não deixa ninguém indiferente. Mostrou em Lisboa que se pode ser um grande pastor tendo apenas uma pequena paróquia a cargo.

Ao respeitar o ser humano que não tem fé religiosa, fazendo uso da sua capacidade de escuta, e com ele dialogando, Tolentino demonstra que um cristão pode ser ainda hoje alguém parecido com o Nazareno, e que a verdadeira fé não coloca à distância os que não pensam nem sentem como ele. Comprova assim que mais vale construir pontes do que muros, e que a luta espiritual não é “contra a carne e o sangue” (Efésios 6:12), no dizer de S. Paulo, pelo que a genuína fé cristã não precisa de cavar trincheiras contra os “inimigos”, nem de promover cruzadas contra os novos “infiéis”.

De resto, a Grande Comissão não passa pela defesa da Fé ou por atacar quem não a tem ou a preserva de forma diferente: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém” (Mateus 28:19,20). Como se vê o mandato limita-se a discipular, baptizar e ensinar, mas nunca à força.

O novo purpurado compreende que o Evangelho não é uma imposição mas uma proposição, segundo a missão entregue por Jesus Cristo aos discípulos: “E se em qualquer cidade vos não receberem, saindo vós dali, sacudi o pó dos vossos pés, em testemunho contra eles” (Lucas 9:5). Confia firmemente no livre arbítrio e no princípio do binómio liberdade/responsabilidade inscrito na natureza humana.

Tenhamos presente, enquanto realidade histórica, que são os poetas que mudam o mundo, pois como Gedeão escreveu e Manuel Freire cantou: “o sonho comanda a vida” e “sempre que o homem sonha o mundo pula e avança”.

Homero deu corpo a uma narrativa fundacional dos antigos Gregos enquanto povo, Vergílio fez o mesmo com os latinos, Shakespeare marcou o seu tempo e as artes para sempre, Salomão ficou na história hebraica e universal com o seu poema de amor à Sulamita, Goethe esculpiu magistralmente o grande drama da existência humana no seu Fausto (1808). Rimbaud ainda hoje impressiona na simbolização da sua busca espiritual, antes de morrer muito jovem, Camões ousou organizar a alma portuguesa desde os tempos do Império, e Federico García Lorca, cuja obra e memória sobreviveu ao seu assassinato pelos franquistas, inspirou gerações na resistência à ditadura espanhola.

Segundo Maurice Blanchot, o acto poético faz com que a linguagem deixe de ser instrumento e revele a sua essência, que é a de “fundar um mundo” Isto é, a mesma essência do pensamento, que funda as coisas e a realidade humana.

Em qualquer caso, Tolentino fará a diferença no colégio cardinalício. “És a Poesia!”, ter-lhe-á dito o papa momentos antes da imposição do barrete cardinalício. Qual menino entre os doutores será um poeta entre cardeais mais velhos, sem deixar de ser também um doutor das palavras e da Palavra, pois foi nestas que encontrou o sentido da sua vida.

A acreditar no que disse Ludwig Wittgenstein: “Os limites da minha linguagem significam os limites do meu próprio mundo” (Tratado Lógico-Filosófico, 1921), então Tolentino é uma figura universal. E se “a primeira invenção da palavra não veio das necessidades, mas sim das paixões”, como defendeu Jean-Jacques Rousseau (Sobre a Origem das Línguas, 1781), pode dizer-se que o novo cardeal português é um homem de grandes paixões.

Talvez de paixões aparentemente contidas, mas paixões.

http://visao.sapo.pt/opiniao/2019-10-16-Um-poeta-na-Capela-Sistina

Opinião: A desvairada parvoíce do politicamente correcto, por José Brissos-Lino

A desvairada parvoíce do politicamente correcto

Tom Flathers

Já não há pachorra para isto. A ideologia do politicamente correcto tornou-se uma autêntica ditadura que não permite espaço para o humor, nem contextualização histórica, nem sequer uma pitadinha de bom senso. Estamos perante uma espécie de fascismo social e relacional

Fiquei completamente estupefacto com o recente episódio protagonizado por Justin Trudeau, primeiro-ministro do Canadá. Alguém desenterrou uma imagem de há dezoito anos, quando participou numa festa temática sobre “As Mil e Uma Noites”, em que os estudantes se caracterizaram e ele foi de Aladino, com o rosto escurecido. Ai, Jesus!, que o homem é um perigoso racista… Mas o mais desconcertante é que Justin, em vez de repudiar tal parvoíce, ainda veio pedir desculpa, justificando-se com as suas origens privilegiadas que não o terão feito entender quão prejudiciais poderiam ser atitudes deste tipo. Ao que obriga a desvairada parvoíce do “politicamente correcto”…

Mas aconteceu caso semelhante em solo europeu, na velha Albion. O futebolista profissional Bernardo Silva, que joga no Manchester City, publicou um tweet bem-disposto, na brincadeira com o seu grande amigo e colega de equipa desde os tempos em que ambos jogavam no Mónaco, o negro Benjamin Mendy, onde o comparava ao boneco dos chocolates “Conguito”. Foi imediatamente acusado de racismo pelos Torquemada de serviço, isto é, a Associação de Combate ao Racismo “Kick Out”, que veio exigir medidas à federação inglesa, a qual escreveu ao clube a pedir informações. O treinador Pep Guardiola defendeu o jogador referindo que era apenas uma piada entre grandes amigos e que não tinha qualquer conotação racista, adiantando que o Bernardo “é uma das melhores pessoas que conheci na vida”.

Bernardo Silva apagou a publicação de imediato, lamentando já não ser possível “brincar com um amigo” e escreveu à federação enviando um depoimento de Mendy, a testemunhar não ter ficado ofendido, mas, segundo a BBC “é acusado de ter cometido uma violação agravada das regras da FA porque incluía referência à raça e / ou cor e / ou origem étnica”.

Esta moda do politicamente correcto está a inventar problemas onde eles não existem e a revelar um extremismo perturbador que ninguém sabe onde vai parar. A ideia que dá é que estas pessoas que acusam alguém de racista por tudo e por nada, especialmente por nada, como nestes casos, escondem uma tentativa de assumir um poder que não conseguiriam de outro modo. Bem sabemos que as acusações contra famosos rendem na opinião pública e garantem publicidade global, já que as redes sociais e mesmo os jornalistas agarram em todos estes casos e “casinhos”. Mas a esperança que nos resta é que os Torquemadas modernos acabem por descobrir que o ridículo mata.

Ao que parece, acusar de racismo sem provas nem indícios um primeiro-ministro de um país desenvolvido e um futebolista internacional que joga num dos maiores clubes do mundo e no mais importante campeonato a nível global, merece bem o risco do ridículo e chama a atenção para as organizações que inventam estes casos. Na sociedade mediática em que hoje vivemos tudo é permitido em nome de uma causa e o crime compensa.

Só que enquanto estes Torquemadas da treta se vão entretendo com os casos fabricados, esquecem-se de lutar contra o verdadeiro racismo que continua entranhado no tecido social. E esquecem-se que o racismo tem mais do que um sentido. Também há racismo contra o homem branco e racismo entre negros, a que alguns chamam tribalismo, assim como racismo de negros contra mulatos e vice-versa ou contra asiáticos.

O cristianismo primitivo, inspirado por Jesus, levantou uma bandeira contra toda a espécie de racismos ao apresentar-se desde o início como uma proposta de fé universalista: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus 28:19); “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15). Já durante o ministério público de Jesus se haviam gerado tensões recorrentes entre o judaísmo da época e a perspectiva universal da mensagem e praxis do Nazareno, que nunca discriminou pessoas tendo em conta a sua origem, sexo, religião ou condição social.

Quer a elite do Tempo de Jerusalém (classe sacerdotal, saduceus, sinédrio), quer o povo (incluindo os fariseus), nunca compreenderam bem a lógica de abertura a todos em que se movia, propondo assim um novo paradigma, caracterizado pela substituição da velha aliança (com o povo de Israel) por uma nova (com toda a humanidade). Quando escreveu às comunidades cristãs da Galácia, S. Paulo retomou a ideia de que a fé cristã é indiferente às barreiras religiosas, sociais e de género: “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:28).

Por tudo isto parece-me urgente descobrir o antídoto para o veneno social do politicamente correcto, essa nova forma de intolerância, para que um dia não sejamos obrigados vir a gritar: “Abaixo a ditadura!”.

http://visao.sapo.pt/opiniao/2019-10-09-A-desvairada-parvoice-do-politicamente-correcto

Meditação em Transformação | 10 OUT | Universidade Lusófona pelas 18:00, na Sala S.0.11

Meditação em Transformação
(última chamada)
1- Neurofisiologia da Meditação.
2- Meditação e Religião.

A linha de investigação em Cosmovisões da Ásia, do Departamento de Ciência das Religiões, tem o prazer de convidar V.Exa. para a palestra de hoje, pelas 18:00, na Sala S.0.11 da Universidade Lusófona de Lisboa,  com o investigador Prof. Dr. Roberto Simões Serafim.

Esta é uma excelente oportunidade para aprender sobre meditação, nos seus aspetos científico e religioso. Na parte final do evento haverá oportunidade para colocar perguntas ao preletor.

Existem poucos lugares disponíveis. O evento é gratuito, mas a pré-inscrição obrigatória.

Poderá consultar os detalhes deste evento e reservar lugar em

https://www.yogaemportugal.org/event/meditacao/

Comunidades Islâmicas visitam exposição de Arte Islâmica no Museu Gulbenkian

O professor Fabrizio Boscaglia, responsável pela linha de investigação Herança e Espiritualidade Islâmica na Área de Ciência das Religiões da Universidade Lusófona, colaborou no Museu Calouste Gulbenkian para a concepção, organização e realização de visitas guiadas à exposição «O Gosto pela Arte Islâmica», cuja curadora é a doutora Jessica Hallet.

Entre julho e outubro, o seu trabalho contribuiu inclusivamente para que viessem a ser realizadas visitas guiadas à exposição com representantes, docentes e alunos das principais Comunidades Islâmicas e Mesquitas da zona de Lisboa, nomeadamente com a Comunidade Islâmica de Lisboa, com a Fundação Islâmica de Palmela e com o Centro Cultural Colinas do Cruzeiro de Odivelas.

Foram momentos marcantes, de cultura e diálogo cultural, para Lisboa, para as Comunidades Islâmicas e para a cidadania.

Visita guiada à exposição «O Gosto pela Arte Islâmica» (Museu Gulbenkian) com Fundação Islâmica de Palmela

Visita guiada à exposição «O Gosto pela Arte Islâmica» (Museu Gulbenkian) com Comunidade Islâmica de Lisboa

Visita guiada à exposição «O Gosto pela Arte Islâmica» (Museu Gulbenkian) com Centro Cultural Colinas do Cruzeiro

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