“Esoterismo Ocidental: Definições e Enquadramento de uma área Fundamental” | ADIADO por motivos de doença

 

Importante: ADIADO – a indicar nova data

“Esoterismo Ocidental:

Definições e Enquadramento de uma área Fundamental

Laboratório de Investigação do Mestrado em Ciência das Religiões

 

A próxima sessão do Laboratório de Investigação do Mestrado em Ciência das Religiões (“Religiões & Espiritualidades”) decorrerá no dia 21 de Maio (terça-feira), das 12H30 às 13H15, no CIPES, Sala C.1.38. aonde o Dr. Rui Lomelino apresentará parte da sua investigação de mestrado através da palestra “Esoterismo Ocidental: Definições e Enquadramento de uma área Fundamental”, seguida de debate.

 

Trata-se dum espaço de informalidade, composto por um primeiro tempo em que um orador fará a exposição de temática ligada a uma investigação em curso, durante cerca de 20 minutos e um segundo período, de tempo idêntico composto por diálogo e intercâmbio de experiências com uma audiência interessada, através de achegas, comentários e perguntas.

Pretende-se que este espaço seja dinâmico e cumpra funções de formação, debate, reflexão crítica e partilha de saberes e experiências para investigadores. Convida-se à participação dos alunos de Ciência das Religiões (actuais e antigos).

 

Lisboa, 14 de Maio de 2019

 

O Director do Mestrado,

José Brissos-Lino

“Esoterismo Ocidental: Definições e Enquadramento de uma área Fundamental” | ADIADO por motivos de doença

“Esoterismo Ocidental:

Definições e Enquadramento de uma área Fundamental

Laboratório de Investigação do Mestrado em Ciência das Religiões

 

A próxima sessão do Laboratório de Investigação do Mestrado em Ciência das Religiões (“Religiões & Espiritualidades”) decorrerá no dia 21 de Maio (terça-feira), das 12H30 às 13H15, no CIPES, Sala C.1.38. aonde o Dr. Rui Lomelino apresentará parte da sua investigação de mestrado através da palestra “Esoterismo Ocidental: Definições e Enquadramento de uma área Fundamental”, seguida de debate.

 

Trata-se dum espaço de informalidade, composto por um primeiro tempo em que um orador fará a exposição de temática ligada a uma investigação em curso, durante cerca de 20 minutos e um segundo período, de tempo idêntico composto por diálogo e intercâmbio de experiências com uma audiência interessada, através de achegas, comentários e perguntas.

Pretende-se que este espaço seja dinâmico e cumpra funções de formação, debate, reflexão crítica e partilha de saberes e experiências para investigadores. Convida-se à participação dos alunos de Ciência das Religiões (actuais e antigos).

 

Lisboa, 14 de Maio de 2019

 

O Director do Mestrado,

José Brissos-Lino

Abertas as inscrições de propostas de Comunicações para o III Congresso Lusófono

Abertas as inscrições de propostas de Comunicações para o

III Congresso Lusófono de Ciência das Religiões
« Religião, Ecologia e Natureza »

LISBOA | 31 de Janeiro a 5 de Fevereiro de 2020

 

Abertas inscrições de propostas de comunicações, veja a listagem de GT’s aprovadas: Listagem de GT’s aprovadas
Mais informações através do e-mail: IIIcongressolusofona@gmail.com

Diálogo Inter-religioso e Escola intercultural | 24 de Maio às 16h | Sede do SPGL

Diálogo Inter-religioso e Escola intercultural | 24 de Maio às 16h | Local: Sede do SPGL* (Sindicato dos Professores da Grande Lisboa)

Oradores:

Prof. Fabrizio Boscaglia (Estudioso do Islão, Investigador e Professor da Universidade Lusófona)

Prof. António Faria (Budista, Investigador, Professor da Universidade Lusófona)

Padre José Agostinho Sousa (Igreja Católica, Sacerdotes Dehonianos)

 

*Morada: Sede Sindicatos dos Professores da Grande Lisboa

                   R. Fialho de Almeida 3, 1070-095 Lisboa

Simpósio Internacional Ibn Arabi (Ávila, 11 mai.)

«Sono, vigília e conhecimento de si em Ibn ʿArabī e em Fernando Pessoa» é a comunicação de Fabrizio Boscaglia no Simpósio Internacional Ibn Arabi, da MIAS-Latina, a decorrer em Ávila, Espanha, entre 10 e 12 de maio de 2019. Será apresentado o número especial da revista El Azufre Rojo (Universidade de Múrcia) sobre Maria Gabriela Llansol e Ibn Arabi, editado por Fabrizio Boscaglia e Luiza Rosa.

Na língua árabe, especialmente na linguagem de Ibn Arabi, os termos, ši’r, poesia, e šu’ûr, percepção sutil do velado, estão intimamente relacionados pela sua raiz lexical. Este simpósio oferece uma abordagem multidisciplinar e intercultural sobre estes temas, quer na dimensão literária, quer pelas modalidades do discurso místico, através de várias perspectivas, incluindo as da Imaginação Criadora e as das múltiplas percepções e interpretações da inspiração. Constituindo-se as poéticas de João da Cruz e Ibn Arabi como as principais referências do simpósio, dezesseis oradores falarão, sobretudo de forma comparativa, sobre muito diferentes aspectos das literaturas da espiritualidade, tanto antigas, como modernas.

 

 

Seminário do Mestrado: O FIM DO ROMANTISMO LUNAR | 13 de Maio | 18h30

Seminário do Mestrado: O FIM DO ROMANTISMO LUNAR | 13 de Maio | 18h30

Seminário de Mestrado
O FIM DO ROMANTISMO LUNAR
50 anos depois da chegada do homem à Lua (20 de Julho de 1969)

Prof. Doutor Paulo Nuno Martins
Dia: 13 de Maio de 2019, Segunda-Feira, 18:30. Sala A.2.2
Local: Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia de Lisboa (Mestrado em Ciência das Religiões)

Opinião: É possível amar um terrorista? por José Brissos-Lino

É possível amar um terrorista?

Anadolu Agency/ Getty Images

A perseguição religiosa toca a todos e é uma das que causa mais vítimas em todo o mundo, talvez porque o fanatismo religioso é o pior de todos. Curiosamente fala-se pouco no Ocidente da cristianofobia, que origina, provavelmente, a maior das perseguições

É evidente que existem correntes anti-semitas um pouco por todo o lado, na linha duma malfadada tradição milenar, mas que foi agravada nas últimas décadas, em particular a partir do nazismo. Os judeus são, de facto, um povo especial, e a história mostra de forma recorrente que pagaram um preço elevado pela sua singularidade, com perseguições, expulsões e execuções em massa. Mas decerto que a animosidade contra os judeus se deve hoje, em grande parte, à actuação política do moderno estado de Israel, em particular na difícil convivência com os palestinianos.

O Islão também se pode queixar do passado. Sendo uma religião de vocação universalista, tal com o cristianismo – ao contrário do judaísmo –, ambas teriam que chocar entre si, inevitavelmente, com vista ao desígnio da sua expansão. Mas hoje a islamofobia cresceu exponencialmente pela mão da extrema-direita, dos nacionalismos e dos supremacistas brancos no mundo ocidental, em resultado dos populismos que se vão instalando paulatinamente e da problemática dos refugidos e migrantes.

Consta que em dez meses foram queimados onze templos cristãos em França. A verdade é que a investigação do Pew Research Center publicado em Julho de 2018 e referente à situação em 2016, “os cristãos são o grupo religioso com mais restrições em todo o mundo, em termos absolutos”. Nesse ano registaram-se restrições e assédio em 144 dos 198 países analisados. Só depois surgem os muçulmanos, que viram a sua actividade religiosa limitada e que foram alvo de assédio em 142 países.

Sendo o cristianismo a maior religião do mundo em termos de fiéis, não admira que sejam igualmente os mais perseguidos. Segundo Nelson Jones, autor do blogue Heresy Corner, citado por Alexandre Martins, “pela mesma lógica, seria de esperar que os muçulmanos fossem o segundo grupo mais perseguido.” E de facto é isso que se depreende dos números do Pew Research Center: “O assédio aos membros dos dois maiores grupos religiosos – cristãos e muçulmanos – por governos e grupos sociais continua a ser generalizado em todo o mundo, e ambos foram alvo de um aumento do número de países que os assedia em 2016.”

Mas o terceiro grupo religioso mais perseguido em todo o mundo é o judaísmo, o que é estranho devido ao facto da sua reduzida expressão numérica. Julga-se que os judeus representem apenas 0,2% da população mundial, em comparação com 31% de cristãos e 24% de muçulmanos. Portanto, os judeus continuam a ser o grupo religioso mais perseguido, em termos relativos, dada a sua população.

O conjunto dos ataques perpetrados por bombistas suicidas cingaleses no Sri Lanka contra igrejas cristãs (católicas e protestante), assim como em hotéis, terão uma leitura mais política visando a indústria do turismo. O grupo extremista islâmico local Thawahid Jaman já era conhecido pela autoria de actos de vandalismo contra símbolos da maioria budista do país. Contudo, diga-se que muito do que é identificado como perseguição religiosa não é mais do que luta pelo poder, onde a religião funciona apenas como pretexto ou catalisador emocional.

Mas a resposta das comunidades cristãs locais é de paz e perdão. Segundo a revista americana Relevant, mesmo face a esta terrível tragédia, o pastor da Igreja de Zion (protestante), Roshan Mahesan, diz que perdoa os homens-bomba responsáveis ​​pelos ataques do Domingo de Páscoa. Numa mensagem em vídeo, o pastor Roshan declarou: “Estamos feridos. Também estamos zangados, mas ainda assim, como pastor titular da Igreja de Sião Batticaloa, toda a congregação e toda família afectada, dizemos ao homem-bomba, e também ao grupo que o enviou, que os amamos e perdoamos. Não importa o que tenham feito, nós amamo-vos porque cremos no Senhor Jesus Cristo”.

O deputado Abraham Sumanthiran resolveu fazer também uma importante declaração de fé: “Eu sou cristão e compartilho da tristeza da igreja cristã no Sri Lanka neste momento. Cremos em Jesus Cristo, que veio a este mundo, sofreu como nós e levou o pior do mal para si e foi crucificado injustamente. Mas ele derrotou todo o mal através do amor sacrificial, que é o que celebramos na Páscoa – o dia da ressurreição”. O sentimento é que, ainda que a população esteja em sofrimento, não quer entregar-se ao ódio e vingança. De igual modo, o padre Jude Fernando, que oficiava numa das igrejas atacadas, declarou: “Nós amamos a paz. Nós perdoamos. O nosso Deus é um Deus de paz, e não de vingança. Nós vos amamos e perdoamos”.

Fonte: http://visao.sapo.pt/opiniao/2019-05-08-E-possivel-amar-um-terrorista-

Opinião: Deus não é sócio de César, por José Brissos-Lino

Deus não é sócio de César

SERGIO LIMA/ Getty Images

A confusão entre César e Deus – isto é, entre o secular e o religioso – sempre gerou problemas ao longo da História. A atração fatal pelo poder levou os homens a confundirem ambos os planos de intervenção, por vezes com graves consequências

Quem acompanhe minimamente a realidade política brasileira rapidamente toma consciência da promiscuidade existente entre a religião e o estado, numa evidente negação do princípio republicano do estado laico. E é fundamental que o estado seja laico para que a sociedade possa ser inteiramente livre em matéria de crenças e de práticas religiosas, sem distorções nem limitações. A neutralidade religiosa do estado de direito é que permite a expressão livre das crenças religiosas a todos os cidadãos sem excepção.

Este princípio não significa que os cidadãos crentes, seja em que fé for ou em nenhuma, se devam ver arredados da vida pública e do exercício da sua cidadania. Pelo contrário. Na tradição de alguns grupos religiosos, como é o caso dos Testemunhas de Jeová, desconsideram-se normalmente como actos de cidadania participar em eleições ou servir as forças armadas. Para eles, cantar o hino nacional é considerado um acto de idolatria ao estado. Aliás, se um membro dessa organização religiosa participar na política ou nas forças militares é expulsa e condenada ao ostracismo, onde todos os membros, sejam ou não familiares, são incentivados e pressionados a cortar relações com ele. Mas o cidadão religioso, seja qual for a sua crença, não pode ficar arredado da sua participação cívica na construção da comunidade humana onde vive e se integra. Caso contrário será um corpo estranho ou membro duma seita fechada e alienante.

O poder sempre seduziu os homens. O desejo de a religião controlar ou pelo menos influenciar o poder sempre esteve presente na história dos povos. No tocante ao cristianismo a tendência terá sido iniciada com o imperador Constantino que usou a Igreja para fins políticos, tendo ela, depois disso, encetado um assalto ao poder, quando a sede do império passou para Bizâncio (Constantinopla) e a inevitável vacatura de poder em Roma foi preenchida pelos cristãos. Logo que a religião oficial do império passou a ser o cristianismo seguiu-se a perseguição dos cristãos aos pagãos e ao mundo clássico, erro que só alguns séculos mais tarde veio a ser corrigido por alguns Pais da Igreja.

Muitas vezes foi o poder político que se utilizou da religião a fim de pacificar as populações e prevenir revoltas, com a pregação da resignação, outras vezes foi a religião que se usou da sua influência e poder para angariar vantagens, privilégios e alcançar os seus fins.

O Brasil é um caso de estudo. Temos hoje uma “bancada da Bíblia” que parece ter no seu seio os parlamentares mais corruptos de todos. Os mais conhecidos líderes neopentecostais estiveram sucessivamente com Lula, Dilma, Temer e agora com Bolsonaro. Ou seja, o que querem mesmo é estar junto do poder, seja ele qual for. Não conseguem resistir a tal atracção. Pastores de comunidades cristãs de fé candidatam-se a cargos políticos electivos e fazem campanha eleitoral muitas vezes dentro das próprias igrejas, dividindo assim o rebanho espiritual pelo qual são responsáveis, e contribuindo para exacerbar atitudes de confronto e extremar posições.

Como é que se chegou até aqui? Desde há muitos anos que os líderes pentecostais, neopentecostais e outros se vinham a aproximar do poder em sucessivas candidaturas a nível local, estadual e federal. Longe vão os tempos em que ser evangélico no Brasil era sinónimo de bom trabalhador, sério, honesto e íntegro e as lideranças davam-se ao respeito. Hoje o panorama mudou radicalmente.

Entretanto a política tem vindo a constituir um pólo de atração cada vez mais forte para os líderes espirituais. Um dirigente religioso, seja ele católico ou evangélico, nunca deveria submeter-se a campanhas eleitorais para cargos políticos. É contra a natureza da sua vocação ministerial. Jesus disse um dia: “O meu reino não é deste mundo” (João 18:36). Conta-se que Billy Graham teria recusado há largas décadas candidatar-se à presidência dos Estados Unidos. Terá invocado a ideia de que a sua tarefa espiritual seria mais importante do que o desempenho do cargo que é considerado como o mais importante do planeta. Todavia quase intercedeu sempre em oração a Deus pelos presidentes americanos, nas cerimónias oficiais de investidura, desde Dwight Eisenhower.

Ou muito me engano ou o Brasil um dia ainda vai pagar caro esta promiscuidade entre política e religião. Deus tenha misericórdia do povo brasileiro.

Fonte: http://visao.sapo.pt/opiniao/2019-05-01-Deus-nao-e-socio-de-Cesar

Opinião: O califado morreu? “A grande aposta do Estado Islâmico será a África” por Paulo Mendes Pinto

O califado morreu? “A grande aposta do Estado Islâmico será a África”

O continente africano é uma região atrativa para grupos como o Estado Islâmico e outros movimentos extremistas que se aproveitam da fragilidade das estruturas sociais e políticas de muitos países, como defende um especialista em ciências das religiões.

Foto: Bassam Khabieh/Reuters (arquivo)

Paulo Mendes Pinto, coordenador da área de Ciências das Religiões da Universidade Lusófona, afirma que os atentados extremistas “têm ocorrido em quase todo o globo”, e que se assiste a um “movimento global que atua de forma global” e vê África como um terreno ideal para se implantar.

A queda do autoproclamado Estado Islâmico na Síria e no Iraque não significa o fim do grupo, segundo observa: “simplesmente, apontaram o seu olhar” para outros territórios, e tentam agora reorganizar-se em geografias que lhes são mais favoráveis.

“Na Ásia [onde os recentes ataques concertados no Sri Lanka provocaram a morte a mais de 250 pessoas] têm surgido algumas células, mas a grande aposta do Estado Islâmico e dos movimentos próximos será em África onde acreditam que lhes será possível tentar recriar um califado”, explica à agência Lusa.

A facilidade da propagação dos extremismos em África tem algumas justificações: além de ser uma região com países que enfrentam “graves problemas sociais” que facilitam a disseminação de movimentos antissistema e a radicalização de populações que se sentem oprimidas, existem também estruturas de poder “bastante frágeis” a nível local ou central, o que auxilia a criação de poderes paralelos.

“Países com estruturas sociais e políticas muito frágeis não têm instrumentos para estar atentos a quem vem, passa e fala, a quem se vai instalando”, sublinha o investigador.

Por outro lado, “a sociedade está muito partida e há uma representação mais acentuada dessa polarização nos ‘media’ o que leva o cidadão comum a achar que estamos numa época de extremos, acentuando o sentimento de insegurança e de medo”, explica.

O fenómeno da radicalização é complexo, e as mensagens atingem diferentes destinatários: além de “gente que já estava nas margens, muitas vezes ligada ao pequeno crime”, cativam também cidadãos socialmente integrados e que “nada levaria a crer que seguiriam essa via, como o saudita fundador da Al-Qaida, Osama Bin Laden ou alguns bombistas suicidas envolvidos nos atentados do Sri Lanka, ligados a famílias que fizeram fortuna com o comércio de especiarias”.

Paulo Mendes Pinto enquadra-os no que define como os “desiludidos da globalização”.

São “pessoas que não encaixam, que não encontram lugar, que não tem expectativas. Estão desiludidos com o momento social que se vive e acho que é muito por aí que temos de encaixar as várias radicalizações que vemos hoje, seja entre os ‘coletes amarelos’, seja entre os extremistas religiosos”.

O responsável da Universidade Lusófona considera que as pessoas se sentem mobilizadas porque acreditam que as suas ações podem desencadear uma mudança.

“É uma vontade de agir, de mudar, contra um modelo ocidental” representado por uma sociedade cristã ou laica e que assume estilos de vida que se enquadram no que é percecionado como “uma sociedade que está em decadência, que está em degenerescência, que está cheia de pecados e de falhas e que tem de ser mudada”, salienta o especialista

Questionado sobre o regresso de ex-combatentes do Estado Islâmico e respetivas famílias aos seus países de origem, Paulo Mendes Pinto manifestou-se otimista quanto aos pressupostos do sistema penal vigente, montado no pressuposto de que a regeneração e a reintegração social são possíveis, mas admite que há riscos.

“Eu, pessoalmente, acredito que existe um enquadramento que os pode integrar na sociedade, mas as doses de risco são grandes: podem tornar-se agentes de recrutamento ou ter cometido crimes que devem ser averiguados e punidos”, comenta, adiantando que “não há uma solução que se possa aplicar a todos os casos”.

Fonte: https://www.tsf.pt/mundo/interior/africa-e-um-terreno-fertil-para-difusao-dos-extremismos-religiosos—especialista–10869607.html

Universidade Lusófona lança primeira pós-graduação em instrução de Yoga

COMUNICADO

Universidade Lusófona lança primeira pós-graduação em instrução de Yoga

Lisboa, 2 de maio de 2019

Sistema de práticas tradicionais da Índia, o Yoga assume dimensão académica este ano em Portugal. A Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, em parceria com a Associação Europeia de Terapias Orientais, avança com uma Certificação Profissional em Instrução de Yoga em setembro. Pioneira no país, esta pós-graduação integra um projeto mais abrangente de apoio ao ensino, investigação e regulamentação da profissão.

“Há muito desejado em Portugal, e com algum atraso em relação a outros países, a instrução de Yoga assume dimensão universitária no ano de 2019”, anuncia Paulo Hayes, docente do Departamento de Ciências das Religiões da Universidade Lusófona (ULHT) e coordenador da Pós-Graduação em Instrução de Yoga, que inicia em setembro.

Com a duração de dois anos letivos, em regime presencial (um fim de semana por mês) e com um estágio profissionalizante no segundo ano, o primeiro curso universitário de instrução de Yoga do país é composto por sete módulos que percorrem teoria, técnicas e práticas, bem como a sua aplicação na saúde, educação e populações especiais.

Projeto Yoga em Portugal

Resultando de uma parceria entre a Universidade Lusófona (ULHT) e a Associação Europeia de Terapias Orientais (AETO), a pós-graduação insere-se num projeto mais alargado nos vetores do ensino, investigação académica e regulamentação. Ao nível da pedagogia, por exemplo, além do curso profissionalizante, estão planeadas “ações de formação para professores do ensino básico e secundário bem como a preparação de instrutores para o ensino do Yoga e da meditação em centros de saúde e hospitais”, informa Paulo Hayes.

No âmbito da investigação, o Projeto Yoga em Portugal lançou em janeiro o primeiro número da publicação académica Yoga Dharma – Revista e Estudos sobre o Yoga Antigo e Moderno. Com periodicidade anual, incide principalmente nos contextos de espiritualidade, educação, saúde e bem-estar, pretendendo “o debate sobre técnicas e métodos e reunir saberes sobre processos terapêuticos no espaço da lusofonia, na perspetiva sociopolítica de transformação de consciências”, comenta o também diretor da revista, que conta com o apoio do Centro de Estudos Indianos da Universidade de Lisboa e do Departamento de Ciências das Religiões da ULHT.

“Os estudos modernos revelam indícios de que o Yoga contribui para a integração de grupos minoritários e de como a meditação poderia contribuir para modificar o sistema sociopolítico”, nota o investigador Paulo Hayes, introduzindo o terceiro eixo do Projeto Yoga em Portugal: o da regulamentação: “Pretende-se a criação de um grupo público de trabalho para definir o enquadramento jurídico da profissão de instrutor de Yoga. Todas as escolas de yoga, de quaisquer tradições, são bem-vindas e pessoas individuais também podem submeter propostas e solicitar a participação nas reuniões periódicas”, convida o responsável.

“As competências funcionais do instrutor, o regime fiscal, as regras da formação contínua, entre outros aspetos técnicos não estão regulamentadas pelo estado português”, lamenta Paulo Hayes. “A ausência do Estado nestas matérias permitiu a incoerência em estruturas formativas, inexistência de seguros e de critérios reguladores e muitos outros aspetos importantes para os profissionais e escolas de Yoga portuguesas.”

Apresentação do projeto no Dia Mundial do Yoga

O Projeto Yoga em Portugal, que resulta do protocolo celebrado entre a maior universidade privada do país e a AETO, é oficialmente apresentado no próximo dia 21 de junho, Dia Mundial do Yoga, entre as 18h30 e as 21h30, nas instalações da Universidade Lusófona, no Campo Grande 376, em Lisboa, constando no programa também algumas comunicações sobre Yoga e Saúde e Yoga e Cultura. A inscrição no evento é gratuita (limitada à capacidade da sala) e pode ser feita através do link: https://bit.ly/2PEPNZ7

Mais informações:

www.yogaemportugal.org

www.facebook.com/ProjetoYogaPortugal

https://yoga-dharma.org/

Contactos: geral@yogaemportugal.org  / 914843802

 

Sobre a Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

A Lusófona é a maior Universidade privada em Portugal e parte integrante do subsistema particular e cooperativo do ensino superior português, ao longo dos últimos trinta anos. Tem como missão central contribuir através das suas atividades de ensino e investigação para o desenvolvimento científico, cultural, económico e social de Portugal e de todos os países onde se fala a língua portuguesa. www.ulusofona.pt/

Sobre a Associação Europeia de Terapias Orientais

A Associação Europeia de Terapias Orientais é uma instituição sem fins lucrativos. Os seus objetivos sociais são a divulgação, promoção, formação na área das diversas terapias do Oriente, em particular o Yoga e a medicina indiana Ayurveda. Fundada em 2007, tem mantido a atividade de forma regular com a formação de professores de yoga, yogaterapeutas, cursos de meditação, de terapia Ayurveda, retiros e outros eventos. www.terapiasorientais.org/

Opinião: Que a queda do pináculo não seja a morte de Quasímodo, por José Brissos-Lino

FRANCOIS GUILLOT

A catedral de Notre-Dame de Paris, que começou a ser construída apenas vinte anos de pois de Portugal nascer como país, morreu agora um pouco, mercê dum terrível incêndio, simbolizando assim a morte duma certa forma de religião na Europa

Este monumento da Île de la Cité, em Paris, representa boa parte da história do continente, onde vários templários foram executados (1314), onde Napoleão Bonaparte se fez coroar imperador e Josefina imperatriz de França (1804), e Joana d’Arc foi beatificada (1909). Em 1831 Victor Hugo consagrou o templo neogótico num romance passado na Idade Média, no qual deu vida ao famoso corcunda de Notre-Dame, Quasímodo, que se apaixona pela cigana Esmeralda. A catedral foi erguida em 1163 e iniciou a função religiosa em 1182, embora só em 1345 se tenha concluído a construção. Escapou a ser incendiada durante a turbulência social da Comuna de Paris, em 1871, e livrou-se de explodir, por ordem directa de Hitler, que a mandou armadilhar no Verão de 1944, mas o general von Choltitz desobedeceu. Não resistiu agora, por razões mais prosaicas, ao que parece derivadas das obras de restauro que vinha a sofrer há longos anos.

Nas redes sociais alguns têm minimizado o acontecimento, sugerindo que apenas ardeu parte de uma igreja católica. Outros vão mais longe e criticam o facto de terem surgido apoios financeiros vultuosos para a construção, quando há tanta gente a morrer de fome e mergulhada na pobreza por esse mundo fora. Embora respeitando a diversidade das opiniões quer-me parecer que nem toda a gente entendeu algumas coisas básicas.

Antes de mais, tal como na economia, as percepções e emoções são fundamentais em política. Não foi por acaso que uma multidão chocada permanecia ao longe a observar, impotente, a destruição daquele que talvez seja o maior símbolo de Paris e da França (mais do que a Torre Eiffel). Havia pessoas a chorar e logo mais a cantar uma canção de esperança. Não entender o que isto significa é não entender nada da alma das nações e da vida pública.

Por outro lado a Notre-Dame não era apenas um templo. Era o mais importante monumento nacional francês, o mais visitado da Europa, que carregava oito séculos de história e recebia mais de um milhão de visitantes por mês, tendo sido declarado pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade.

A imagem da queda do pináculo da catedral é soberba e provoca-nos algumas reflexões. Antes de mais ela simboliza a morte anunciada duma certa forma de religião institucional na Europa, cujo processo se iniciou no final da Grande Guerra, há cem anos. A ilusão do esperado progresso geométrico resultante da revolução industrial tinha sido posto em causa na guerra, quer pela aplicação da tecnologia conhecida em acções de destruição, durante o conflito, em particular pela utilização da ainda incipiente aviação e dos gases mortíferos, quer pelo rasto de dez milhões de mortos e vinte milhões de feridos. A situação da fé nos finais da guerra não era famosa, como atestava o relatório The Army and Religion (1919), que abordou o impacto religioso da vida militar sobre os soldados, principalmente os provenientes das classes operárias do exército britânico, tendo por base uma gama impressionante de testemunhos recolhidos durante os últimos tempos da guerra. O documento apresentou conclusões extremamente negativas. A religião europeia teve muita dificuldade em se reinventar a fim de lidar com as feridas duma guerra nunca vista e cedeu em toda a linha perante os regimes autoritários e ditatoriais que então se afirmaram no continente.

A queda do pináculo da Catedral de Notre-Dame faz-nos lembrar ainda a terceira tentação de Jesus no deserto, quando o diabo o desafiou astuciosamente a lançar-se do pináculo do templo de Jerusalém, para provar que era o Filho de Deus (Lucas 4:9). Mas o alvo do Filho de Deus não era provar o seu poder mas sim o seu amor.

A dicotomia entre pobreza e cultura é falaciosa porque muitas vezes a primeira decorre da falta da segunda. Ainda bem que há quem invista em educação e cultura. Ainda bem que há quem invista na luta contra a pobreza. A sensibilidade das pessoas é diferente e ambas merecem a atenção da sociedade. Mas criticar quem apoia a reconstrução de Notre-Dame em vez de mandar dinheiro para os países desenvolvidos, é tão descabido como nós apontarmos agora o dedo a esses mesmos críticos pelo facto de não oferecerem as suas casas, roupas, viaturas ou outros bens aos pobres que não os têm. Porém, Joaquim Franco pergunta aos cristãos: “entre a reconstrução de um histórico edifício de culto e o apoio a um povo desolado pela intempérie, a enfrentar a fome e a doença, qual seria a prioridade daquele que, segundo os textos evangélicos, se comparou a um templo – “Derrubai este templo e em três dias o levantarei” (João 2: 9)?” De acordo. Só que não adianta exigir a observância da ética cristã a quem não tem vida de fé.

Mas Victor Hugo fez com que a catedral simbolizasse também a fantasia. Faço votos para que a catástrofe daquele final de tarde de 15 de Abril não seja a morte de Quasímodo. Isto é, a morte da fantasia de que todos precisamos para viver. Velhos e novos.

Fonte: http://visao.sapo.pt/

Opinião: A Páscoa como escândalo, por José Brissos-Lino

Miguel Sotomayor/ Getty Images

A falta de compreensão do sentido da Páscoa tornou-se generalizada no mundo ocidental, apesar de a celebrar, por força da tradição e da cultura. A maior parte dos que se afirmam cristãos revela enorme dificuldade em entender o facto de a época pascal ser a mais significativa no calendário da fé cristã

Em função do pensamento pós-moderno vivemos numa sociedade predominantemente hedonista. O prazer pessoal, imediato e a qualquer preço está aí, bem presente nos comportamentos individuais e de grupo. Esta realidade não se conjuga com o conceito de sacrifício, e menos ainda com a ideia do sofrimento de substituição, no lugar do outro.

Ora, a mensagem cristã passa exactamente por aí, pois S. Paulo diz: “Mas Deus prova o seu amor para connosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8). E note-se que a motivação para tal sacrifício é o amor – outro conceito amplamente desvirtuado nos dias que correm – mas que representa a força mais poderosa do universo, segundo a poética de Salomão: “Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas” (Cânticos 8:6). Aliás, toda a epístola paulina à igreja de Roma bate na tecla da justificação pela fé através do sacrifício de Cristo, de carácter vicário e redentor, e a Carta aos Hebreus retoma o mote por analogia com a lei de Moisés e a tradição sacrificial hebraica.

A dificuldade crescente em compreender o conceito de fazer sacrifícios na vida quando se vive numa sociedade do prazer e do bem-estar é por demais evidente. Os millenials não entendem que os avós se tenham sacrificado no passado, procurado fazer poupanças, evitar os desperdícios e o dinheiro mal gasto, com vista a enfrentar a fase mais avançada da vida com a menor ansiedade possível. Mas a sua cultura desses idosos baseia-se na memória dos anos da guerra, dos racionamentos, privações, múltiplas incertezas e ausência de segurança social. Mas talvez já compreendam que os seus pais se sacrifiquem por eles, a fim de lhes proporcionar estudos de nível superior e que não lhes falte nada, embora eles não tencionem reproduzir o modelo.

Outro aspecto de incompreensão geral e persistente da essência da mensagem da Páscoa é a questão da cruz como escândalo. O Novo Testamento diz que os judeus consideraram a cruz de Cristo como escândalo e os gentios como loucura: “Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos” (1 Coríntios 1:23). A cultura helenística procurava o ideal do homem perfeito, por isso entender um Salvador do mundo desnudado e exangue, como vítima de tortura e morte ignominiosa e humilhante, era inconcebível. Ainda mais para o judaísmo do primeiro século, que ansiava a libertação do jugo de Roma, e em vez dum libertador que entrasse em Jerusalém em cima dum jumentinho esperava um Messias montado num garboso cavalo branco, a comandar uma força militar, que viesse restaurar a soberania israelita em Judá. Para a religião judaica considerar o cruxificado como enviado de Deus e redentor era simplesmente escandaloso.

René Girard desenvolveu uma teoria do sacrifício onde o cristianismo triunfa “da organização pagã do mundo”, recusando a caça ao bode expiatório como expediente para o alívio da consciência colectiva. Mas a modernidade tardia trouxe consigo uma verdadeira subversão do período pascal na cultura. Uma sociedade extremamente individualista teria sempre dificuldade em entender a razão de alguém viver em função dos outros, entregando-se voluntariamente ao sacrifício pelos outros e sujeitar-se à morte em lugar de bons e maus, de conhecidos e desconhecidos. E não a uma morte qualquer, mas à que decorre duma pena destinada aos maiores criminosos, sendo contudo inteiramente inocente. Talvez por isso, e devido à galopante falta de identificação religiosa na Europa, em particular nas regiões urbanas do território, as férias no período pascal são aproveitadas para descansar e viajar, não se lhes atribuindo qualquer valor espiritual ou religioso.

A cultura popular introduziu o coelho e o ovo na iconografia da Páscoa. Fala-se mais disto às crianças das famílias ditas cristãs do que da cruz e do sepulcro vazio. Mas o que significa a celebração da Páscoa? Para os cristãos marca a esperança de uma nova vida, um recomeço e a crença tanto na ressurreição, como na segunda vinda de Jesus à Terra. Se a páscoa judaica (Pessach) celebrava a libertação da escravatura do povo hebreu no Egipto, a páscoa cristã representa a libertação da escravatura espiritual a que chamamos pecado. E não confundamos as coisas. Na perpectiva bíblica “pecado” não se reduz a uma sexualidade desordenada, mas sim a tudo que, por acção ou omissão, passe ao lado da vontade de Deus, uma vez que, etimologicamente, o termo significa “errar o alvo”. É caso para dizer: que atire a primeira pedra quem nunca errou.

Fonte: http://visao.sapo.pt

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